A louca e deliciosa sensação de morar sozinha aos 15.

 

Olá, Pessoas!

Vou contar um pouquinho só, da louca e deliciosa sensação de morar sozinha aos 15.

Quando eu saí da casa da minha mãe eu tinha 15 anos, muito novinha e sem experiência de vida nenhuma. Passei por muita coisa ao longo dos anos até adquirir maturidade o suficiente e aprender que independente de qualquer coisa meu lar continuava lá, bastava que eu seguisse o ritmo de vida dela e do atual marido, ritmo esse que eu não queria para a minha vida, já que minha mãe mora num sitio afastado da cidade, longe de qualquer urbanização e eu, como toda adolescente queria muito mais que aquilo, foi quando fui em busca da minha independência.

Mal sabia o que me esperava lá fora!

Sair de casa é como fazer uma caminhada numa mata que você não conhece. Você se depara com lobos e leões, na maioria das vezes assustadores.

Mas segui em frente com meu desejo, e fui!

Fui morar com meu irmão e a ex mulher dele, a principio trabalhava como auxiliar de cozinheiro num restaurante da cidade pequena e pacata. Ganhava lá meus duzentos e cinqüenta reais e tentava me virar com isso. Ajudava na casa deles com alguma coisa e o que sobrasse tentava sobreviver.

Meu relacionamento com meus irmãos e mãe sempre foi o melhor possível, e quero deixar claro que eles nunca foram o motivo pelo qual me “desmembrei da família”.

Quando meu pai foi assassinado isso em 1998, ficamos completamente desnorteados e sem saber como seguiríamos dali em diante, na época, eu com nove anos me via como a psicóloga de todos, buscava acalmá-los e deixava claro que um dia as coisas iriam melhorar, e seguimos buscando essa melhoria que nunca chegava.

Acho que minha busca por independência partiu daí, perdi alguns medos e passei a ter outros, de certa forma piores.

Minha mãe teve coragem e voltou a se relacionar, o que de certa forma nos acendia uma pequena chama de esperança, porém logo perdida. É que quando os ex namorados dela percebia que ela era uma viúva com “bagagem completa” fazia com que voltássemos uns contra os outros, e lá estávamos nós na estaca zero de novo.

E isso aconteceu algumas vezes, até eu firmar o pé no meu objetivo e partir…

Fui sem olhar para trás, na minha concepção de vida naquele momento, o que me segurava ali já não existia mais. Meu pai fora assassinado por quem deveria proteger a gente, minha mãe se sentia cada vez mais sozinha e se apegava ao primeiro que lhe jurava amor eterno, sem nem fazer uma “pesquisa de satisfação” com os filhos, meu irmão mais velho acabara revoltado com tudo e todos, eu me via sem perspectiva de vida nenhuma.

Segui meu rumo…

Num primeiro momento aprendi muita coisa. Aprendi que as brigas da minha família é bem menos relevante do que quando alguém me negava um pouco de requeijão.

Aprendi que por mais que lhe digam que você deve ficar a vontade e que estar em casa, não é assim que funciona.

Aprendi muito sobre como me dar bem com os outros enquanto estivesse morando na casa deles.

Aprendi a resolver problemas e a ceder, aprendi também engolir sapos e lagartos.

Percebi que quando eu saí de casa para evitar discussões com os namorados da minha mãe, eu não estava resolvendo conflitos, estava apenas fugindo.

Aprendi que morar sozinho é mais doloroso e a sensação de vazio nunca passa.

Quando eu saí de casa, fui para fugir de problemas e da autoridade da minha mãe, queria ser independente e fazer apenas o que me desse na telha. Deixando claro que nunca fui revoltada, sempre conversei muito com a minha mãe e ouvia o ponto de vista dela.

Quando parti não percebi que minha atenção estava voltada nas coisas que eu estava deixando para trás, e não dei atenção para onde estava indo, foi um dos meus erros.

Foquei no retrovisor da vida e fiquei olhando apenas para o que deixei lá atrás, não me concentrei no que estava adiante.

O que aprendi com isso? Que ao sair da casa da minha mãe para ir morar na casa do meu irmão, eu havia trocado seis por meia dúzia.

Não havia focado no meu objetivo, que era morar sozinha e nem nas conseqüências que essa escolha me traria. Não me organizei e muito menos planejei o tanto necessário para que nada fugisse do meu controle.

Naquele momento eu não estava preparada para cuidar da minha casa. De ser a provedora. Não pensei em como seria a vida sozinha. Quando a gente é adolescente sempre sonha em sentir o sabor da liberdade, saber como é ter o nosso espaço, não ter horário para voltar para casa, à gente só quer viver o momento e pronto, o resto se ajeitará de algum modo que não prevemos ainda.

Beleza, eu saí da casa do meu irmão e fui para a minha casa. Enfim me mudei para o meu sonho, tudo bem que as responsabilidades acompanharam o sonho, mas também se fosse tudo fácil não teria graça.

Mudei de emprego, ufa!!

Consegui um melhor, como babá da criança mais linda e doce do mundo. Minha Rebeca!

Cuidando da Rebeca, tive também o prazer de conhecer os pais dela, as pessoas que mais me motivaram a seguir no meu sonho e jamais fraquejar. As pessoas que me mostraram que o amor vence qualquer coisa. Que com o trabalho honesto eu chegaria a qualquer lugar.

Nunca imaginei que tanta coisa mudaria na minha vida. Na verdade TUDO mudou nada ficou igual.

E esse reboliço todo só foi graças a uma série de acontecimentos, que no final me mostraram que tudo dependia apenas de mim. Que morar sozinha valia à pena. Que independência se conquista. E o fato de que os ex da minha mãe não gostavam de mim eram cada vez mais irrelevantes, que não teria alvoroço se eu não levantasse as 06:00 da manha para dar comida as galinhas, Enfim eu não precisava mais me justificar nem me desculpar.

Foi nesse momento que aprendi que isso é liberdade.

Que batalhar pelos meus sonhos foi à coisa mais magnífica que fiz. Aprendi a ter maturidade para perceber que todas as escolhas que eu fazia e faço me tornam uma pessoa diferente, conquistei maturidade para não deixar a ilusão do mundo aqui de fora me levar pra longe de mim.

Se alguma vez eu já me senti estranha morando sozinha?

Ahhh sem duvidas!

Você não sabe o que é adoecer e se ver só. Você não tem noção de como a saudade vai te consumindo aos poucos depois que o encanto de morar sozinho passa. É gostoso morar só, mas às vezes é uma droga!

Tem gente que mora sozinha por opção, já outras por falta dela e para ambos deixo o meu conselho: se planejem, pensem com calma, vejam a questão financeira, se você tem predisposição a sentir-se deprimido.

Quando estamos morando sozinhos à responsabilidade de tudo é apenas nossa.

No início, quando estamos borbulhando felicidade não enxergamos esses detalhes, até o primeiro aluguel vencer, ou o gás esvaziar, aí você descobre que a parte boa de não ter que dividir o mesmo teto com alguém, não é tão legal assim, já que terá que se bancar sozinha.

Mas… A sensação de estar na sua casa é avassaladora!

Eu andava pelada à vontade pela casa, e ainda ando. Deixo a cama desarrumada, e acordo a hora que quiser no fim de semana.

É tão bom não ter ninguém brigando por conta da minha bagunça, ou porque deixei a toalha molhada na cama, porque tomo cerveja na segunda, porque deixei o feijão queimar.

É gratificante ver no que somos capazes de nos tornar. Somos tão capazes!

Espero que vocês tenham se identificado um pouco com minha experiência.

Aos que estão buscando a arte de morar sozinhos, se planejem pois o mundo aqui fora é maldoso e não espera a gente crescer.

Deixe seu feedback nos comentários, ok?!

Grande beijo!

 

 

 

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